FMS alerta contra uso indiscriminado de analgésicos e antipiréticos

As pessoas devem ficar atentas ao uso de remédios e somente administrá-los sob prescrição médica.

FMS alerta contra uso indiscriminado de analgésicos e antipiréticos
O risco de reações adversas graves ao uso de medicamentos deve ser uma preocupação constante de médicos, demais profissionais de saúde e pacientes. Algumas delas, embora raras, podem ser fatais – o que torna imprescindível orientação médica antes da administração de remédios. O alerta é do neurologista da Gerência de Epidemiologia da Fundação Municipal de Saúde, Marcelo Vieira, que lembra aos pais de filhos com quadros de dengue, gripe ou catapora devem ficar atentos ao uso de remédios e somente administrá-los sob prescrição médica.


É o caso da Síndrome de Reye – doença caracterizada pela falência rápida das funções do fígado, grave perturbação das funções cerebrais e elevado risco de morte. A doença pode afetar principalmente crianças de 0 a 12 anos de idade que sofrem quadros febris agudos, principalmente causados por resfriado, gripe ou varicela (catapora). O desenvolvimento da síndrome está associado à administração do medicamento ácido acetilsalicílico (AAS) frente a estas infecções comuns da infância.


A Síndrome de Reye revela um distúrbio nas funções metabólicas da criança que até então não apresentavam qualquer sintoma ou que se manifestava por sintomas inespecíficos, comuns a outras enfermidades. Alguns destes defeitos, denominados “Erros Inatos no Metabolismo”, são detectados pelo teste do pezinho, mas outros “escapam” a esta testagem, neste caso, muitas crianças crescem sem o diagnóstico e permanecem suscetíveis ao desenvolvimento da Síndrome.


“O nome do medicamento às vezes não revela a substância, em geral compramos o remédio pelo nome comercial e é aí que está o problema, já que muitos pais ou responsáveis administram antigripais ou outros medicamentos que podem conter ASS na fórmula”, explica Marcelo Vieira. Crianças suscetíveis podem desenvolver a síndrome mesmo após receber um único comprimido ou poucas gotas do medicamento e os sintomas podem iniciar-se após aparente resolução do quadro infeccioso.


SINTOMAS E CUIDADOS PREVENTIVOS


Alguns dias após um episódio de resfriado comum, gripe ou varicela e administração de ácido acetilsalicílico como tratamento para febre ou dor, a criança começa a apresentar náuseas, vômitos, dor abdominal e até mesmo diarréia, surge “amarelamento” de pele, mucosas e conjuntivas, branco do olho (icterícia), denunciando a falência das funções do fígado; como a principal importância deste órgão é “desintoxicar” o organismo de resíduos tóxicos advindos do metabolismo normal das pessoas, ocorre acúmulo destas substâncias com consequente prejuízo às funções cerebrais. Quando isso acontece, a criança pode ficar confusa, agitada, ter alucinações, sonolência excessiva, crises convulsivas e até mesmo entrar em coma irreversível (morte encefálica)".


Desde que a associação entre AAS, quadros febris na infância e Síndrome de Reye foi descoberta na década de 80, houve redução de cerca de 80% dos casos de óbito pela doença, exatamente pelas medidas profiláticas adotadas - como a não administração da substância citada nos contextos de risco.


O AAS é uma medicação formidável, sendo fundamental para o tratamento de doenças graves, como Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral, Atrite Reumatóide, dentre várias outras, de forma que não precisa ser “demonizada”. O problema está no uso indiscriminado, sem indicação médica. A própria bula do medicamento contempla um alerta para o risco de ocorrência da síndrome nas situações mencionadas. Raros casos de Síndrome de Reye também foram relatados em adultos.

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Fundação Municipal de Saúde de Teresina - FMS

Endereço Web: https://site.fms.pmt.pi.gov.br/noticia/733/fms-alerta-contra-uso-indiscriminado-de-analgesicos-e-antipireticos